Beni Kuhn

Entrevista com Beni Kuhn, CEO da Colaborativa

Beni, por que o assunto educação lhe chamou tanta atenção?

Iniciei a minha história profissional no mercado financeiro, onde atuei por 22 anos e ficava incomodado sobre a melhor forma de ajudar as pessoas a melhorarem. Educação é um pilar básico de ajuda ao ser humano, a maior realização das pessoas é sentirem que estão aprendendo e evoluindo. Por isso, decidi ingressar na área de educação no ano de 2014 e em 2016 fundei a Colaborativa consultoria educacional. Na educação encontrei a minha realização e nunca mais sai da área.

Como avalia a educação do nosso país hoje?

Como tudo nos dias de hoje está mudando muito rápido, a educação também tem que mudar e é o último dos segmentos que ainda não encontrou o caminho da transformação digital. Os modelos praticados são os mesmos do século XIX. Quando pensamos no que mudou de lá para cá, temos várias respostas, como; Computadores, Projetores, Softwares e etc, mas a grande mudança ocorreu nas pessoas, como elas aprendem, como interagem, o que elas esperam, entre outros fatores.

O que a tecnologia é capaz de fazer pela educação?

A tecnologia como meio, é apenas a forma de alcançar algo… tem que estar aliada às pessoas (docentes, discentes, coordenação, etc) e as metodologias e processos, sozinha não é capaz de fazer nada. A tecnologia permite estreitar a relação entre professores e alunos, os professores ganham tempo com atividades administrativas repetitivas, além de permitir que o professor entenda a evolução de sua turma e comece a personalizar a trilha de aprendizagem de seus alunos.

Foi com esse intuito que surge a Colaborativa?

O intuito de criar a Colaborativa era ajudar instituições e as pessoas nessa transição, tanto os professores quanto os alunos. Mudar não é nada fácil, ainda mais quando se faz a mesma coisa por vários anos. Decidir mudar é fundamental, já que brinco “a fechadura da mudança está no lado de dentro da porta, ninguém muda ninguém”, mas não é suficiente, precisa de ajuda, acompanhamento, incentivo e reconhecimento.

Qual a principal mola-mestre que move a consultoria?

As pessoas, entender como conseguimos engajar, encantar para essa jornada.

Que papel o educador exerce nesse ecossistema?

Fundamental e essencial, sem ele não é possível alcançar o resultado almejado. Apesar da nova geração estar sempre conectada é um engano acreditar que são fluentes digitais. O papel do professor mudou de detentor do conhecimento, para o coach, mentor, e principalmente o inspirador.
O CEO da Colaborativa

A tecnologia educacional em nosso país é insuficiente de modo geral?

Não, temos várias soluções educacionais gratuitas disponíveis, inclusive com a mesmas qualidades das tecnologias usadas nos Estados Unidos, Finlândia…

Que mudança será inevitável para que a sala de aula continue sendo atraente para as novas gerações?

Acredito que a mudança será em como tornar a sala de aula interessante e atrativa. Os alunos não têm a sensação de estar aprendendo, estão desacreditados.

A implementação do projeto Google for Education na Unit Sergipe é um case de sucesso por quais razões em sua visão pessoal?

Acredito que vários componentes fizeram da Unit um caso de sucesso. Primeiro, foi entender que tecnologia era algo estratégico e não administrativo e teria que estar voltado para o processo de aprendizagem que é o core business da instituição. Segundo, por que o projeto tinha Gestão, um pai, o professor Domingos Machado, que sempre foi muito ativo no processo, construindo um caminho em conjunto conosco para obtermos o sucesso. Terceiro, os professores embaixadores, que espontaneamente se ofereceram para serem multiplicadores, tiveram um papel fundamental na replicação dos conhecimentos com seus pares. E também a reitoria que acreditou que realmente faríamos uma transformação, fato que os alunos das licenciaturas já são formados nesse novo modelo, podendo inclusive obter certificação internacional de Educator.

Podemos dizer que esse projeto é singular?

Sim, sem dúvida todos são, como falei no início. Nosso foco são as pessoas e não existem duas instituições com a mesma cultura.

Como fazer para que projetos dessa envergadura sejam cada vez mais plurais (no sentido de quantidade com qualidade) e com replicações bem-sucedidas em outras partes do Brasil e do mundo?

Acredito que primeiro, as instituições têm que querer se transformar. Tem que ter um projeto claro, com visão de onde quer chegar com responsáveis pelo projeto, engajado na adoção do projeto, e uma consultoria que traga de fora novas visões e experiências, pois, como diz o ditado: “Santo de casa não faz milagre”.

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